Enquanto grande parte das discussões sobre o futuro da mobilidade continua concentrada no crescimento dos carros elétricos, duas novidades merecem nossa atenção.
A primeira vem da Reforma Tributária.
Foi publicada a Portaria Conjunta MF/CGIBS nº 14/2026, que estabelece a metodologia de cálculo das futuras alíquotas de IBS e CBS sobre combustíveis.
E existe um detalhe importante: o tratamento diferenciado dos biocombustíveis está expressamente contemplado nessa regulamentação.
O etanol anidro utilizado na mistura obrigatória terá, no IBS, alíquota equivalente a 90% da aplicada à gasolina A.
O etanol hidratado também terá preservado um diferencial tributário competitivo mínimo em relação à gasolina C, conforme os critérios legais.
Isso não significa que já conhecemos todos os valores dos tributos futuros.
Mas significa que a diferença entre combustível fóssil e renovável faz parte da estrutura do novo sistema tributário.
A segunda novidade vem do mercado automobilístico.
Em setembro, foram emplacados 5.786 veículos híbridos flex no Brasil.
É um recorde mensal para essa tecnologia.
E sabe por que considero isso importante?
Porque o híbrido flex combina duas características que merecem ser estudadas: maior eficiência proporcionada pela eletrificação parcial e possibilidade de utilização de etanol.
Enquanto o elétrico puro substitui o combustível líquido pela eletricidade, o híbrido flex pode reduzir o consumo por quilômetro e utilizar combustível renovável.
São caminhos diferentes de transformação da mobilidade.
E ambos precisam entrar na nossa conta.
O Brasil também projeta produzir quase 42 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27.
Uma parcela crescente vem do milho, ampliando a importância da integração entre agricultura, indústria, energia e coprodutos.
Então, minha pergunta continua sendo:
Será que estamos olhando para a transição energética brasileira com todas as variáveis necessárias?
Porque não basta perguntar quantos carros elétricos serão vendidos.
Precisamos descobrir quanto petróleo será efetivamente substituído, quanto custará cada quilômetro percorrido, qual será a tributação e quanto valor econômico permanecerá no Brasil.
A Reforma Tributária acrescenta uma dimensão decisiva a essa investigação.
E o crescimento dos híbridos flex acrescenta outra.
O futuro da mobilidade brasileira poderá combinar eletricidade, etanol e outras fontes de energia em proporções diferentes.
Mas não quero defender uma tecnologia antes de conhecer os números.
Quero medir.
Porque quem não mede, não ganha. E quem acha, perde.
Mara Lúcia — Revenda Contábil
